Política e Controle do Crime: A “Indústria da Tolerância” em Manaus

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O coletivo Rizoma Editorial anuncia ao seu público leitor o lançamento de mais uma obra de grande interesse libertário: Política e Controle do Crime: “A Indústria da Tolerância” em Manaus, de Guilherme Vasques Mota.

Resultado da dissertação de mestrado do autor, junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da PUC/SP, esta obra discute a atuação dos meios de comunicação na veiculação da criminalidade na cidade de Manaus (AM), analisando o papel desempenhado pelos jornais “Dez Minutos” e “Manaus Hoje”, que têm como principal “público-alvo” os habitantes das áreas de periferia da cidade. Nas páginas desse jornais, como demonstra o autor, diariamente se verifica a exposição das pessoas envolvidas nesses fatos como “pestes” e a proposta de “tratamento” dessas pelo estabelecimento de um regime de “tolerância zero”. Em sua argumentação, baseada nas ideias de Foucault, Deleuze e Guattari, o autor pretende comprovar que esta atuação dos jornais é orientada pela “racionalidade” neoliberal, os diagramas de poder da sociedade de controle e as políticas criminais de “Lei e ordem” e “Tolerância zero”, as quais propõem um regime que abrange toda a sociedade, em que se pune qualquer desvio, algo que está em pleno funcionamento nas principais “democracias” neoliberais da atualidade. Nas áreas de periferia, onde a criminalidade relaciona-se diretamente às questões socioeconômicas, os efeitos da “Tolerância zero” são mais sentidos, produzindo uma fratura exposta na atual “sociedade da tolerância” enraizada no universalismo internacional, produzindo a nova figuração das “pestes” da criminalidade no neoliberalismo. Os jornais, assim, atuam como agenciadores dos processos de subjetivação dos leitores e trazem diferentes táticas para sujeitar habitantes das periferias, pela difusão da “tolerância zero” como forma ideal de combate à criminalidade nessas áreas, permitindo também a expansão de uma “Indústria da Tolerância” em Manaus que enriquece com o relato da punição.

No momento em que, em todo o mundo, as forças da resistência insurgem-se contra a “racionalidade” neoliberal e sua poderosa — mas não invencível! — máquina midiática , a qual vem sendo abertamente desafiada em suas tentativas fúteis de manipulação ideológica para a manutenção da “sociedade do espetáculo”, esta obra vem acrescentar importantes subsídios a essa discussões e questionamentos.

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