A Concepção de Educação em Max Stirner

Em consonância com nossa proposta de divulgar obras acadêmicas de cunho libertário, o coletivo Rizoma Editorial anuncia a publicação da obra A Concepção de Educação em Max Stirner, do pedagogo e especialista em docência universitária Custódio Gonçalves da Silva, com prefácio do Prof. Rogério Humberto Zeferino Nascimento.

Max Stirner — pseudônimo do escritor e filósofo alemão Johann Kaspar Schmidt (1806-1856) — é provavelmente um dos mais polêmicos de todos os anarquistas históricos. Publicou um só livro, O Único e a Propriedade (1844), além de alguns artigos que apareceram pouco antes. Não obstante, com essa obra central lançou os fundamentos da linha de pensamento anárquico conhecida como “anarquismo individualista”, que influenciou Nietzsche e, posteriormente, os pensadores existencialistas e pós-estruturalistas do século XX.

Stirner faz uma crítica radicalmente anti-autoritária e individualista da sociedade contemporânea, declarando que todas as religiões e ideologias se assentam em conceitos vazios, que, uma vez solapados pelos interesses pessoais (i.e. egoístas) dos indivíduos, revelam sua invalidade. O mesmo aplica-se às instituições sociais que sustentam estes conceitos, quer sejam o Estado, a legislação, a Igreja, o sistema educacional, ou qualquer outra instituição que reclame autoridade sobre o indivíduo (assim antecipando-se, de certa forma, às reflexões retomadas mais de um século depois por Michel Foucault). Somente quando o indivíduo percebe que lei, direito, moralidade, religião, etc., nada mais são que conceitos artificiais — e não autoridades sagradas a serem obedecidas — é que poderá passar a agir livremente.

É neste contexto que se insere o trabalho bibliográfico apresentado nesta obra de Custódio Gonçalves da Silva, que tem como tema central  os efeitos  sobre o indivíduo das práticas de educação autoritária impostas pelas diversas instituições sociais — principalmente a família, a Igreja e o Estado. Nas palavras do autor: “Pressupondo o Positivismo comteano arraigado no sistema de educação exógena — cuja teoria do conhecimento, não obstante alegar o uso da razão, na realidade, jaz no limbo do Idealismo asceta — esta pesquisa constitui-se em uma crítica a tal sistema.” Questionando a pedagogia e a educação autoritária de Estado enquanto práticas que visam ao apenas adestramento, à submissão e à alienação do indivíduo  — o que poderíamos chamar de “pedagogia da submissão” — esta obra procura identificar, a partir da concepção de Stirner,  “a liberdade de um ensino egoísta, voltada para a vontade singular própria de cada um, no qual o Eu individual possa manifestar-se, livre e sem barreiras, a sua própria espontaneidade.”

Apesar de todas as reservas que os anarquistas coletivistas possam ter a ela, a obra de Stirner mantém sua importância, quanto mais não seja para promover uma salutar reflexão crítica sobre a importância do indivíduo frente a todas as pressões e coerções que sobre ele são exercidas pelo Estado e sua ideologia da “autoridade”.

◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊
◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊
◊ ◊ ◊ ◊
◊ ◊

TODO PODER AO INDIVÍDUO

◊ ◊
◊ ◊ ◊ ◊
◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊
◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊ ◊

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s