TAZ – Zona Autônoma Temporária

TAZ - Zona Autônoma TemporáriaUma década depois de sua primeira publicação no Brasil (Editora Conrad, São Paulo, 2001), já esgotada, o coletivo Rizoma Editorial traz ao seu público leitor o clássico de Hakim Bey, “TAZ – Zona Autônoma Temporária”.

A proposta básica da TAZ (Temporary Autonomous Zone) é combater o poder do Estado e do capital criando espaços (virtuais ou não) de liberdade que surjam e desapareçam o tempo todo, escapando dinamicamente a estruturas formais de controle. A TAZ é uma espécie de rebelião que não confronta o Estado diretamente, uma operação de guerrilha que libera uma área (de terra, de tempo, de imaginação) e imediatamente se dissolve para se refazer em outro lugar e outro momento, antes que a máquina repressora do Estado possa esmagá-la.

Na formação de uma TAZ, Bey sugere que a tecnologia da informação e as várias formas de criação artística desatreladas do “sistema” tornam-se ferramentas fundamentais para que o movimento libertário se infiltre nas brechas dos procedimentos formais. Usando de inusitada erudição, Hakim Bey (pseudônimo  do historiador, escritor e poeta estadunidense Peter Lamborn Wilson) cruza as referências mais inesperadas: da filosofia sufi aos situacionistas franceses, de Nietzsche aos dadaístas. E encontra precedentes para a TAZ nos redutos piratas dos séculos XVI e XVII, nos quilombos negros das Américas e nas efêmeras repúblicas libertárias do início do século XX (a Ucrânia makhnovista, as comunas libertárias da Revolução Espanhola). Assim, dos condados ingleses “liberados” pelos diggers no Século XVII às “utopias piratas” no Caribe do Século XVIII e à Comuna de Paris em 1871; dos coletivos autônomos da Catalunha e Aragão na Revolução Espanhola de 1936 às ruas de Paris em maio de 1968; da Chiapas zapatista dos anos de 1990 à Comuna de Oaxaca em 2007, ao longo da história das lutas sociais territórios livres – e efêmeros – têm sido criados espontaneamente, convertendo-se em “paraísos” libertários onde novas formas de organização social e econômica, de relações de produção e troca, de educação e disseminação de conhecimentos, são experimentadas e colocadas em prática.

As ideias de Bey foram alvo de severas críticas por parte de anarquistas
clássicos como Murray Bookchin, que o acusou de disseminar uma imagem negativa do anarquismo, associando-o à idéia de anarquia como “caos”, ao individualismo narcista do “anarquismo como estilo de vida”,  à violência niilista do movimento punk e à alienação anti-social da cultura cyberpunk (as críticas de Bookchin foram reunidas em uma livro publicado em 1995, Social Anarchism or Lifestyle Anarchism: An Unbridgeable Chasm). A despeito de tais críticas (com as quais, de fato, parcialmente concordamos), a abordagem de Bey é inegavelmente criativa e inovadora e o conceito de Zona Autônoma Temporária já incorporou-se aos conceitos clássicos do movimento libertário como uma genuína contribuição do  neo-anarquismo do final do século XX e início do século XXI .

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